Dexter voltou, mas… Precisava?

Oito anos depois de encerrar, de maneira absolutamente frustrante, a trajetória do serial killer de Miami que só matava os que escapavam da lei, Dexter está de volta no revival que acaba de estrear no Brasil pelo streaming Paramount+. Com o subtítulo New Blood (Sangue Novo), a (mini?) série mostra onde Dexter Morgan passou a viver – sob outra identidade, claro – depois de fingir a própria morte no desfecho da série original.

Em Cold Snap, primeiro de dez episódios que serão exibidos semanalmente até o dia 3 de janeiro de 2022, Dexter ressurge com sua persona assassina aparentemente adormecida e escondida no passado. Integrado à comunidade, ele vive na pequena, gelada e fictícia cidade de Iron Lake, o que por si só já traz uma ambientação extremamente oposta em tons e cores à série original. 

Se em Miami Dexter conseguia se disfarçar no meio da multidão, em Iron Lake todo mundo se conhece pelo nome, sabe onde cada um vive, onde trabalha e com quem se relaciona. E é nesse contexto que reencontramos um Dexter que se acostumou à vida simples e pacata que aparentemente o permitia controlar seu dark passanger. Pelo menos, claro, até aparecer na cidade um playboy com segredos obscuros que logo desperta sua sede de sangue novamente. 

Nesse contexto, o roteiro de Clyde Phillips – que trabalhou na série original até o final da ótima quarta temporada e retorna como showrunner desse revival –  toma certos atalhos para criar e justificar o conflito de Dexter (trabalhando numa loja que vende armas ele acaba convenientemente tendo contato direto com o homem que o fará retomar seus velhos hábitos), por outro lado ele consegue estabelecer bases novas sobre a psiquê do protagonista.

Sob essa perspectiva, é curioso ver como a nova dinâmica de Dexter com sua consciência agora representada por Debra, parece desempenhar muito mais um papel de proteção e âncora moral que o mantém preso à sua nova identidade (e consequentemente afastado de seu passado) do que aquela de Harry que surgia sempre para lembrá-lo da importância de seguir o “código” que o protegia sem contudo impedi-lo de saciar seus desejos. 

Assim, ainda que eu não esteja 100% convencido que esse revival conseguirá redimir a série do estrago deixado pelo terrível (e até então) finale exibido em 2013, por outro lado confesso que o episódio que retoma a história de Dexter, foi eficiente o bastante para me fazer querer acompanhar os próximos passos dessa nova jornada do conturbado anti-herói construído com singular maestria por Michael C. Hall. O momento em que o vemos abraçando seu dark passanger novamente, aliás, é arrepiante pela natureza da transformação física e vocal que o ator reflete em cena. 

O que me leva à pergunta do título. Se precisávamos de mais Dexter depois daquela gigantesca frustração do “final” de 2013 ainda não sei, mas que é legal demais ter a perspectiva de voltar a ver seu protagonista em boa forma de novo, ah, isso é.

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