04/05/2010

Elenco de Lost em entrevistas diversas

Tem tempo que não faço isso por aqui, mas com o final da série se aproximando, bate sempre aquela curiosidade de saber o que esse ou aquele ator pretende fazer de suas vidas pós-Lost. Assim, traduzi algumas boas entrevistas que alguns deles deram nos últimos dias falando de planos e também de seus sentimentos com relação ao fim da série e de seus personagens. Tem Henry Ian Cusick (Desmond) falando ao Washington Post que acha difícil voltar a fazer outro personagem tão bom como Desmond; Josh Holloway (Sawyer) comentando sobre sua vida de sonhos no Havaí à USA Weekend Magazine; Elizabeth Mitchell (Juliet) revelando sobre a surpresa que teve com a reação positiva do público à sua personagem ao New York Post; Daniel Dae Kin (Jin) falando ao Parade sobre os desafios que Lost lhe rendeu e Evangeline Lilly (Kate) confirmando à New York Magazine que vai abandonar a carreira de atriz por um tempo.

Henry Ian Cusick (Desmond)

    Quando você recebeu o roteiro de “Everybody Loves Hugo” e chegou ao ponto em que dizia, ‘Desmond atropela John Locke’, qual foi sua reação a isso?

    Eu meio que imaginei o que seria... Eu sabia o que seria, mas achei que foi algo bem radical.

    Para mim, Desmond tinha que fazer com que John Locke pudesse despertar. Portanto, aquil ofez sentido para mim. Quando estou atuando, sempre tento entender o sentido da coisa, mesmo que seja certo ou errado. Eu tenho que acreditar que há uma razão específica. Faz sentido?

    Sim, faz. Então quer dizer que você logo teve a noção de que o que Desmond tinha que fazer era agir para que Locke pudesse despertar?

    Eu tinha que acreditar que essa era a razão. Pode haver outra, mas como ator, já que eles não dizem porque você está fazendo x ou y. Descobri logo no início da minha participação na série, que mesmo que você não saiba qual é a verdadeira razão para fazer determinada coisa, como ator você precisa ter uma e acreditar nela. Caso contrário, as coisas ficam parecendo vazias.

    Alguns especulam que Desmond está fazendo o papel de Jacob na realidade paralela, quando toca a vida das pessoas e que o objetivo dele é unir as duas realidades. Você pode dizer se as pessoas estão interpretando as coisas de forma correta?

    Acredito que essa ideia de que ele possa tocar a vida das outras pessoas esteja certa. Penso que a série toda explora esse coneito de que cada um influencia a vida do outro. A ideia definitivamente é essa.

    Tenho certeza que você ficou sabendo de uma imagem promocional disponibilizada recentemente com vários personagens. O seu não estava nela e isso gerou todo tipo de especulação: “Desmond não está na foto. O que isso significa?” Você tem alguma explicação para isso?

    Significa que eu não sou um personagem regular dessa temporada. Faço apenas participações especiais. Todas essas fotos trazem personagens regulares, e nessa temporada não sou um deles.

    Em outras palavras, os fãs de Lost, como de costume, estão imaginando mistério onde não há um.

    Penso que sim (risos). Mas isso é bom.

    Tenho uma pergunta sobre a tal call sheet que vazou. Você ficou sabendo dela?

    Não, o que foi?

    Me pareceu meio suspeito, mas foi uma call sheet com informações sobre quem estaria nas cenas finais, e o que seriam essas cenas. Alguém supostamente a deixou num restaurante em Honolulu e foi parar na internet. Não está claro se ela é real, mas tinha o seu nome nela e falava de queda d’água e Desmond e Jack numa corda... alguma coisa disso soa remotamente verdadeira?

    Sabe, a segurança tem sido bem rígida ultimamente, portanto eu não ficaria surpreso se ocorressem vazamentos falsos. Eu não descartaria isso já que eles podem querer confundir as pessoas. Não sei, não vi, portanto não tenho como comentar.

    É que parece tão estranho que alguém tenha simplesmente esquecido algo assim num almoço.

    Pois é, especialmente quando a segurança tem sido tão rígida no nosso lado. Nós tivemos que deixar o roteiro nos trailers quando acabamos as gravações.

    Quer dizer então que você não podia nem levar para casa para ler os diálogos?

    Não, nós recebemos o roteiro, mas era exatamente isso – eles não nos deixavam levar o roteiro conosco para restaurantes onde poderíamos esquecê-lo lá.

    Outra pergunta boba, e então vou te perguntar coisas mais interessantes. No primeiro episódio dessa temporada, havia uma discussão sobre sua cena com Matthew Fox dentro do avião. As pessoas pensaram que havia um anel de casamento no dedo do Desmond, mas depois vimos que você não estava casado com Penny. Havia mesmo um anel no seu dedo naquela cena, foi um erro de continuidade ou nós estamos vendo coisas?

    Não sei, eu de fato uso uma aliança e a tiro quando estou gravando, portanto se havia um anel na cena, eu não vi, mas se de fato havia um, foi um erro de continuidade. Não deveria haver anel no meu dedo nessa realidade paralela.

    Obrigado por esclarecer isso. Em termos das filmagens, sei que vocês já encerraram tudo ou estão perto disso. Você já gravou suas últimas cenas?

    Sim, nós terminamos tudo nas primeiras horas de sábado (24 de abril). Acho que eram mais ou menos 5 da manhã.

    Ah, então no início da manhã de sábado foi o encerramento oficial para todo mundo?

    Sim, foi o fim de tudo. Acho que agora se tivermos que fazer mais alguma coisa, vão ser só algumas poucas tomadas bem específicas, portanto, sim, o encerramento oficial foi mesmo na madrugadas de sexta para sábado.

    Qual era o clima no set? Imagino que tenha sido bem emocional.

    Sabe, foi uma noite bem longa. Tinha muita gente empolgada ali nos arredores por volta da 1 hora da manhã, aí as pessoas começaram a ir embora e por volta das 3 ou 4 só havia mesmo a equipe de filmagem e os atores. Mas mesmo assim, estávamos bem cansados e aí descansamos um pouco nos caminhões das câmeras. Foi um jeito bacana de encerrar tudo, penso. Eu certamente tive uma boa noite e prefiro terminar um trabalho assim. Estar lá no último dia das filmagens acho que é muito bom de se poder dizer.

    Houve alguma comemoração? Um brinde ou algo assim?

    Ah, absolutamente. Bebemos um pouco e as pessoas fizeram alguns discursos bem emocionados. Foi bem legal.

    Você discursou?

    Não. As pessoas estavam bem cansadas. Foram momentos breves do tipo, ‘então é isso, chegamos ao fim’. Não era apropriado que todos começassem a falar. Já era cinco da manhã, eu acho. Todo mundo só queria beber e ir embora.

    Em termos do que o final representa, imagino que você esteja ciente do que acontece com seu personagem. Você chegou a ver um roteiro completo para poder ter uma ideia de como tudo se conecta?

    Vi o roteiro inteiro, com exceção de uma cena. E apenas os atores envolvidos nessa cena sabem do que se trata. E como eu fiz parte dela, sim, posso dizer que vi tudo e que de uma forma geral sei o que acontece com exeção de uma pequena cena.

    Não quero que você me diga o que acontece…

    Não se preocupe, não vou contra nada.

    Sim, eu sei que você não contaria nada mesmo, mas só falei porque realmente não quero saber. Há uma coisa no entando que me deixa curiosa: quando você leu o roteiro, você achou que era uma boa maneira de encerrar a série, tanto para Desmond quanto para a história em geral?

    Sabe, eu tinha certeza que você me perguntaria isso. Não quero dizer nada a respeito e explico porque: realmente adoraria que o público encarasse o final sem saber dos detalhes sem ter que ouvir alguém falando, ‘Ah, vai ser incrível’ ou ‘não é tão bom assim’. Simplesmente assistam. Estamos tão perto da exibição. Não é em meados de maio?

    Sim, dia 23 de maio (nos EUA).

    Pois então, falta pouco. O que eu posso dizer é que você vão ficar pensando sobre a série inteira e que terão muito o que discutir.

    Nossa! Em outras palavras, teremos que voltar ao início e assistir tudo de novo para entender.

    Eu acredito que as pessoas vão fazer isso de qualquer maneira.

    Sim, as pessoas vão fazer isso de qualquer forma. Depois do fim das filmagens, você pôde pegar algum tipo de material do set para guardar de lembrança? Ou você já havia guardado alguma coisa das temporadas anteriores que realmente considera um tesouro?

    Não, não peguei nada. Só me deram a inscrição do meu nome que colocam na cadeira. O resto das coisas vão todas para leilão, portanto acho que eles estão sendo bem rigorosos com as coisas que estão dando. Eu só tenho um pôster da 6ª temporada. E mesmo que eu pudesse nem saberia o que pegar. Na verdade uma vez roubei uma camisa azul do Desmond, mas aí tive que devolver.

    Ah, você deveria poder pegar uma delas. Certamente há muitas.

    Não sei onde elas estão. Provavelmente estão guardadas em algum lugar.

    Será que irão leiloá-las, talvez?

    Quer saber a verdade? Eu devolvi porque eles realmente me deram uma para que eu leiloasse. Daí eu pensei que não seria justo roubar uma e leiloar outra, sabe?

    Você tem refletido sobre o que sentirá falta na série?

    Sim, tenho, Os últimos dias foram de reflexão, ficar sentado vendo as coisas acabar foi um processo muito interessante. E uma jornada um tanto emocional. Foi um grande pedaço da minha vida e foi bem divertido. E provavelmente vou sentir mais falta disso tudo do que consigo pensar no momento.

    Obviamente você sentirá falta das pessoas com quem trabalhou, mas você vai sentir falta do personagem?

    Há muita coisa que sentirei falta. Apenas por ir trabalhar, fazer parte de uma série chamada ‘Lost’. Por fazer um personagem como Desmond Hume, sabe? Quando eu leio outros roteiros ou coisas que surgem para mim, fato é que nada se compara. O personagem é muito rico e acho que vai ser difícil interpretar outro como ele.

    Li que você e sua família vão ficar no Havaí. Você tem em mente quanto tempo vai ficar ou é algo indefinido?

    Eu gostaria de ficar até o meu filho mais velho se formar na escola. Ele tem 16 anos e faltam mais dois para terminar. A partir daí veremos o que vamos fazer.

    Como ator, não há nada definitivo. É tudo meio aberto e depende do que surge.

    Imagino que você esteja acostumado a isso porque esse tem sido o estilo de vida.

    O que penso sobre isso é o seguinte: eu já fui acostumado a isso. Ao longo dos últimos quatro anos e meio, me acostumei a ir para o trabalho ou não ir para o trabalho, mas sabia que ele estava lá. E isso é uma das coisas que me afetou. Eu meio que estava acostumado a essa coisa de rotina de trabalho. E agora preciso procurar trabalho e mesmo assim pode ser só por duas semanas ou três meses e pronto. Portanto isso sim está me afetando, mas é bom, porque eu nunca quis ter o mesmo trabalho para sempre, portanto isso provavelmente é uma coisa boa.

    Há algum outro personagem em Lost que você gostaria de ter interpretado?

    Acho que todos nós fomos indagados sobre isso e todos meio que escolhem John Locke e Ben Linus. Eu posso dizer que estou satisfeito com Desmond. Acho que peguei um personagem muito bom. Eu nõa iria querer trocá-lo por nenhum outro. Para mim, é o melhor personagem que já interpretei. Certamente o que me fez ficar mais tempo num trabalho e o mais rico que já fiz.

    Você tem alguma ideia de qual poderia ser seu próximo projeto ou você ainda está avaliando as coisas?

    Não. Nada ainda. Tenho apenas lido alguns roteiros. Não estou com pressa para decidir. Estou procurando por algo que possa superar ou pelo menos igualar Lost. E isso não vai ser nada fácil de encontrar.


Josh Holloway (Sawyer)

    Josh Holloway se desculpa por ter chegado alguns minutos atrasado. O astro do hit sci-fi Lost estava tirando um cochilo enquanto sua pequena filha, Java, dormia. Um dos maiores símbolos sexuais da tv é pai de primeira viagem.

    Mas, ele não está reclamando. O nascimento de sua pequena e doce ervilha (como gosta de chamá-la) em 2009 é um dos pontos altos da vida de Holloway, que inclui ainda o casamento que ocorreu durante o período de seis anos em que fez o golpista na série de mistério que se encerra no dia 23 de maio com um final muito esperado.

    “Ser pai é incrível e indescritível”, diz Holloway de 40 anos, que chega para tomar uma cerveja – ‘é suco de homem’, diz ele – num restaurante em Honolulu. “No começo é muito difícil quando você troca a liberdade total por nenhuma liberdade. Mas as coisas boas que vem são contínuas, e a cada dia ela se torna mais expressiva. Ela me olha com um olhar de amor e me domina totalmente só com um dedinho.”

    Ele valorize seus anos em Lost, especialmente por ver seu personagem se desenvolvendo e saindo da posição de um cara que era só irrascível e solitário para um que era mais maduro e se envolveu num relacionamento com Juliet. Mas com a morte dela no começo dessa temporada, o Sawyer mais ácido ressurgiu. “Ele está morto por dentro”, ele disse. Agora o personagem quer apenas sair da ilha.

    Holloway também aprecia a estabilidade financeira que veio com uma série de sucesso; ele comprou uma casa em Oahu, a primeira dele. “Na minha experiência, um homem solteiro não precisa de muito para ficar satisfeito”, ele diz, ajeitando o cabelo bagunçado pelo vento. “Basta ter uma barraca e umas cervejas e fica tudo certo.”

    Mas não necessariamente bom para seu abdomem definido, que é exigido dele frequentemente em cenas que faz sem camisa. “Minha esposa (Yessica) e eu amamos comer, especialmente comida francesa”, admite ele. “Isso não combina com essa coisa de símbolo sexual.”

    Ela pode não ajudar a conter sua vontade de comer, mas Yessica não permite que ele se acomode. “Ela é a primeira a me lembrar que não sou um símbolo sexual”, diz ele.

    Quando a série acabar, Holloway pretende tentar a sorte no cinema, o que provavelmente vai significar passar mais tempo em Los Angeles. Ainda assim, ele pretende manter sua casa no Havaí.

    “Certamente vamos ficar por aqui”, revela Holloway. “Vivemos na água. Nosso barco está ancorado bem ali atrás. É meio que tudo o que sonhei.”


Elizabeth Mitchell (Juliet)

    Com pequeno spoiler

    Traduzi apenas a parte em que ela fala de Lost. A íntegra da entrevista incluindo as partes em que ela fala de ‘V” (que deve ganhar 2ª temporada) você encontra aqui.

    Juliet volta para pelo menos um dos episódios finais. O que você pensa sobre a conclusão da história dela?

    Elizabeth: Foi um belo presente que os criadores da série me deram. Sou muito grata e acho que eles fizeram isso com muitos personagens.

    E o final da série em si?

    Acho que é espetacular. Quando se tem uma história sobre personagens, há sempre 8 milhões de coisas que poderiam acontecer e as coisas que de fato aconteceram foram maravilhosas.

    Muitos dos fãs teorizaram que as últimas palavras de Juliet pouco antes de morrer nos braços de Sawyer fariam parte de sua reaparição. Faz sentido?

    Gostaria de poder dizer, mas responder isso seria dizer qual é o final para a personagem. Vou apenas dizer que algumas pessoas estão realmente certas sobre o que escreveram (risos). Os que estão errados compõem uma minoria. Sempre disse que os fãs de Lost são muito espertos.

    O que mais significou para você fazer parte de Lost?

    O que significou muito para mim foi ver a reação das pessoas sobre a personagem, já que eu não esperava algo assim. Foi algo grande para mim, porque eu não esperava.

    Eu li que você realmente ficou surpresa a over que as pessoas lamentaram a morte dela.

    Fiquei surpresa só por ver Juliet ser aceita. Eu a enxergava como uma mulher complicada e com muitas camadas e não sabia que tipo de efeito ela teria. Assumi que as pessoas a achariam estranha, portanto o fato das pessoas a terem recebido bem sempre foi uma surpresa para mim.

    Quando você analisa a história de Juliet, quais são seus momentos favoritos?

    Meus momentos favoritos foram mesmo na 3ª temporada quando pude participar mais. Adorei ficar com Matthew Fox atrás daquele vidro. E agora sei que os fãs não gostaram daquilo, mas como atriz, era como estar no palco de um teatro. E amei quando Juliet viu sua irmã viva pela primeira vez. Foi um daqueles momentos viscerais que acontecem naturalmente nas câmeras e que como ator você você torce para que aconteçam. E foi bom poder beijar Sawyer pela primeira vez. Não porque a personagem tinha algum impulso, mas porque finalmente tinha encontrado a paz após todo aquele trabalho e os três anos em que viveu sob pressão, portanto foi uma experiência boa para mim. Pareceu certo e eu não esperava por aquilo.


Daniel Dae Kin (Jin)

    No episódio 13, Jin e sua esposa, Sun, se reencontraram para a alegria dos fãs de Lost. Como é saber que o público está tão ligado ao seu personagem?

    É bom quando alguém pensa que o que fiz ness período tem um impacto. Penso que isso seja o testamento da força da série e como todos trabalham bem juntos. O fato das pessoas se importarem com nossos personagens diz algo sobre quão longe a jornada de Jin e Sun chegou, porque quando vemo o Piloto, não dava para imaginar que alguém se importaria com aqueles personagens. E o fato das pessoas terem se importado significa muito.

    Vocês meio que se tornaram o Romeu e Julieta de Lost.

    É exatamente assim que vejo as coisas. Eles são aquela história shakespiriana e vamos descobrir se o fim dos dois será trágico ou feliz.

    Jin e Sun estão destinados a ficar juntos?

    Sim, eu penso que sim. Realmente tenho essa percepção dos personagens. E acredito que Jin não tenha a menor dúvida com relação a isso.

    Como tem sido se despedir de Jin?

    Tenho que ser honesto e dizer que ainda estou processando isso. Eu realmente me importei bastante com o personagem. É sempre estranho para mim quando atores falam de seus personagens na terceira pessoa, mas nesse caso, vivi com esse personagem por seis anos, portanto ele se tornou parte de mim. Portanto vai ser mais ou menos como aquela roupa favorita que não poderei mais usar e isso é um pouco triste.

    A dúvida mais quente: quem entre Jin e sun é o candidato?

    Bom, só vimos o sobrenome, e até onde eu sei, há três Kwons.

    A filha de Jin e sun vai desempenhar um papel importante nos últimos episódios?

    A filha será... como coloco isso sem dizer demais? Bem, a filha vai ter um papel nos episódios finais.

    O que você pode dizer sobre o último episódio?

    Acho que o final tem um grande impacto emocional e espero que isso ressoe na audiência da mesma forma que ressoou em mim.

    Qual era o clima no set durante as últimas semanas de filmagens?

    Era mais ou menos como a última semana do colégio quando você está perto de se formar. Você descobre se vai para a faculdade ou não e sabe que suas notas não importam mais e você está ali só para aproveitar o tempo com os amigos, mas ainda precisa frequentar as aulas. Acho que no fim, todos estavam um pouco tristes refletindo sobre os seis anos que passamos uns com os outros.

    E como foi receber esse carinho dos fãs

    Os fãs da série são muito apaixonados e gostam de falar. Nunca deixaram de me parar na rua para dizer o que estavam achando sobre o que acontecia. Para mim, quer fosse críticas ou elogios, sempre apreciei ver que se importavam.

    Quais foram os maiores desafios de fazer Lost?

    Ter que falar em coreano, uma língua que não sou tão fluente como no inglês, foi um grande desafio. Acho que fazer um personagem que inicialmente era antipático foi bem desafiador. E concluí que esses dois elementos eram coisas que eu queria fazer bem. E fico feliz de dizer que no fim dessa temporada posso olhar para trás e dizer, ‘Uau, acho que superei esses desafios muito bem.’

    Sobre voltar a ter contato com suas raízes coreanas.

    Sempre levei em consideração minha herança étnica como uma parte grande do que sou. Mas, é sempre bom conseguir falar outra língua, seja ela qual for. Faz o mundo parecer um pouco menor e minha família estar mais perto.

    De quem você mais vai sentir falta?

    Harold Perrineau (Michael) e Josh Holloway (Sawyer). Os caras que estavam na jangada no fim da 1ª temporada. Acho que formamos um bom grupo ali no mar durante os dias de filmagens. Dito isso, acho que não vou sentir tanta saudade deles assim porque deve vê-los em breve.


Evangeline Lilly (Kate)

    Parabéns pelo fim da série. É estranho saber que acabou?

    Sim, é meio surreal. É empolgante, mas ao mesmo tempo estranho. Estive me preparando para isso há muito tempo. Acho que pelos últimos três anos porque já sabíamos quando a série acabaria. Não sei se existe algo como encarar isso com naturalidade. Quando você faz uma coisa por seis anos e então ela termina… é surreal, mas maravilhoso. Triste e maravilhoso ao mesmo tempo.

    Mesmo sabendo que acabou, ainda há alguma parte de você que pensa, ok, verei todos de novo daqui a seis meses para a 7ª temporada?

    Não muito. Até porque estávamos nos preparando para isso há tempos, portanto sabíamos que essa hora chegaria. Não sou do tipo de pessoa que quando sabe que algo está acontecendo, ou que sabe que algo está acontecendo, ou que um grande momento na vida se aproxima geralmente tende a deixar acontecer e pronto sem experimentar o momento. Passei os seis primeiros meses das gravações dessa temporada desesperadamente saboreando cada segundo ao lado daquela equipe e o fato de estar no Havaí. E então, quando cheguei àquele ponto de poder dizer, ‘ok, saboreei e curti”, meio que cheguei aos dois últimos meses de trabalho deixando a coisa acontecer vivendo a expectativa de ver o que acontecerá depois. E isso tem sido ótimo também.

    Então você aproveitou tudo o que pôde e está pronta para seguir em frente.

    Sim, acho que todos nós estamos. Obviamente não posso falar pelo resto do elenco, mas acho que esse é o consenso – do elenco a equipe de produtores. As pessoas estão empolgadas para ver qual será o próximo capítulo de suas vidas. A série nos prendeu. Tivemos poucas chances de fazer algo fora dela durante esses seis últimos anos porque ela exigia muito de nós. Portanto, é bom ter a liberdade de volta, essencialmente.

    E por estar no Havaí, você meio que ficava presa lá.

    Sim, é como ter que pedir à professora para ir ao banheiro no meio da aula. “Ok, isso é a coisa mais natural do mundo, será que eu não deveria simplesmente poder ir?” E isso era mais ou menos o que acontecia na série. Há esse sentimento... não um sentimento, mas uma regra mesmo, de que para deixar a ilha, era necessário ter permissão dos mais velhos – os nossos produtores. E é bom poder ser adulto e ter controle sobre a minha vida de novo e poder tomar as decisões mais básicas por conta própria.

    Cometou-se que você está abandonando a carreira de atriz. Ela cresceu demais?

    Acho que essa história andou circulando por um bom tempo, porque andei falando disso várias vezes. E sim, é verdade. Eu definitivamente pretendo parar por um tempo. Considero a atuação como um trabalho acessório – não faz parte dos meus sonhos; não é o que quero ser, onde quero chegar. Portanto vou continuar lendo roteiros e continuarei com a mente aberta, mas não é algo que vou buscar como fim.

    Portanto atuar é só um trabalho qualquer para você?

    Tem sido bem diferente, acho que todo trabalho é diferente, mas creio que esse especificamente seja bem singular. Mas, sim, penso dessa forma sobre isso. Penso nisso como um trabalho; e é isso que é, um trabalho. Um que te prende infelizmente. Um que afeta demais sua vida, que é um dos motivos pelo qual não me interesso. Porque que quero ter um trabalho, não um estilo de vida que seja governado pelo que faço para ter grana.

    Os flash sideways da Kate não a mostram como uma personagem muito diferente daquela que já conhecemos, exceto pelo fato dela se dizer inocente. Podemos assumir que há mais além disso?

    Sabe, eu meio que esperava por isso. Eu assistia esperando para ver qual seria a virada na história da Kate nesses flash sideways, mas ela nunca veio. Foi interessante, eu sinto que na ilha ela se tornou o padrão de como a mediocridade... aliás, mediocridade não (risos), a normalidade pode ser medida. Curiosamente, não era assim nas temporadas anteriores. Ela se tornou uma personagem mais estabilizada. Uma que não estava fora do foco, mas que também não estava envolvida nas teorias ou mitologias. Imagino que de certa forma, ela meio que represente uma âncora.

    Parece que você sente falta do período em que a série era sobre o acidente áereo. A série não se trata mais disso.

    Ah, com certeza! Eu fiquei meio frustrado em alguns momentos porque não sou tão fã assim do elemento sci fi. A mitologia para mim não era nem um pouco mais interessante do que as histórias emocionais daqueles personagens. Portanto, algumas vezes eu me frustrei querendo ver mais daquilo. Queria ver aqueles personagens e suas emoções e pelo que estavam passando. Também fiquei muito interessada na noção do aspecto da luta pela sobrevivência na série. E, de novo, isso meio que foi para um segundo plano. Sinto falta daqueles dias em que o dilema era só saber o que eles iriam comer. Acho que é u mbom paralelo com a humanidade: é muito John Locke, muito ligado ao filósofos do capitalismo. Você vai da necessidade básica de sobrevivência para as mais complicadas din^maicas da cultura e da comunidade. Quando as coisas ficaram mais complicadas que o básico da sobrevivência, foi meio frustrante para mim. Eu amava a simplicidade. Sou do tipo de pessoa que se estivesse vivendo em outra época, se pudesse escolher um período, provavelmente seria uma desbravadora. Amo essa noção do que significa trabalhar com as próprias mãos para comer e sobreviver.

    *** Atenção há um pequeno spoiler na resposta a seguir ***

    Sabemos que Allison Janney aparecerá no episódio 15, aquele que é sobre Jacob e o homem de preto.

    Acho que ela fez a mãe Terra.

    *** Fim do spoiler ***

    Você não teve cenas com ela, então.

    Não, mas a encontrei no trailer e ela foi muito simpática.

    Ela era ótima em ‘The West Wing’

    Ah, é dessa série que ela veio? Não assisto tv. Quando as pessoas tentam falar sobre tv na minha casa eu sempre fico perdida.

    Temos algumas perguntas dos leitores. NYBelle pergunta porque você acha que os roteiristas ficaram jogando a Kate entre Jack e Sawyer por tantas vezes.

    Acho que os roteiristas usaram isso como uma ferramenta para atiçar o público. Eu realmente acredito que isso foi uma manipulação para fazer com que o público feminino investisse na história. Um público que representa muito em termos demográficos, portanto penso que os roteiristas estavam querendo fazer com que essas pessoas que normalmente não se interessam por mitologia, se mantivesses ligados à série. E essa provavelmente não é a resposta que eles gostariam que eu desse (risos).

    Haunt Fox notou que somente Kate, Desmond e Jack tomaram banho na ilha. Você acha que os outros personagens ficaram muito fedidos?

    Essa não é a pergunta, certo? (risos) É uma piada, talvez? Bom, obviamente nós cheiramos como civis normais que tomam banho todos os dias.

    Apesar disso, aqueles foram os únicos personagens que vimos tomando banho.

    Sério? Nós vimos a Sun tomando banho também.

    Ah, sim, boa lembrança. Ok, Lolo1450 queria saber se você tem algum apelido na vida real como sardenta?

    Claro. Provavelmente tenho vários se você perguntar a pessoas diferentes presentes na minha vida. Mas não vou dizer nada porque vão começar a usá-los e ficarei louca. Não há nada mais frustrante do que ver os fãs te chamando pelo apelido.

    Jerri Blank quer saber como você fez para roubar as poucas cenas em que apareceu no filme ‘Guerra ao Terror’.

    Não sabia que eu tinha roubado as cenas! Bom, muito obrigada, Jerri. É muito gentil da sua parte.

    Alexandra Martell, Exotica e muito outros querem saber o que você coloca no cabelo. E elas querem saber as marcas.

    (Risos) Bom, agora uso produtos da L’Oreal no cabelo. Humm, eu deveria dar uma olhada no meu chuveiro para ver os nomes. Aliás eu deveria saber os nomes já que sou garota propaganda deles (risos). Sempre me esqueço. Espere aí... Se chama Everstrong shampoo e condicionador.

    Candice Marshall quer saber se há alguma cena da Kate que você gostaria de reescrever.

    Sim, há. Gostaria de reescrever algumas das coisas que aconteceram entre ela e os homens com quem se envolveu. Tive dificuldades de separar Kate da Evangeline. Portanto, infelizmente, quando eles escrevem as coisas eu penso, ‘eu nunca diria isso. Ou eu nunca faria isso, ou isso é ridículo.’ Aí instintivamente quero mudar tudo porque quero fazer o que soa real para mim. O que não se trata de atuar, sabe? É querer se interpretar na tela. Portanto é um jeito mei oridículo de pensar, mas infelizmente, eu tendo a ser assim.

    Tem uma cena que sempre me vém à memória que se eu pudesse escolher ou escrever, definitivamente teria feito diferente: a cena onde Kate observa Jack levar comida para Juliet no acampamento. Eles se sentam juntos e comem, riem, conversam e então Kate subsequentemente vai até a barraca do Sawyer e o seduz. Eu senti que aquilo diminuia a personagem. Sempre a vi como uma mulher emocionalmente confusa e dividida entre esses dois homens, mas ela nunca foi sexualmente manipuladora. Aquilo é algo que eu gostaria de ter reescrito – e tentei argumentar com os produtores nisso; Tentei mudar, fazer com que houvesse um corte ali, meio como se ela observasse o Jack e só bem depois procurasse pelo Sawyer. Mas aí acabou sendo um corte seco em que ela simplesmente meio que se vingava seduzindo Sawyer porque Jack estava conversando com outra garota. Não fui simpática àquela situação, portanto gostaria de poder ter reescrito aquilo.

24 comentários:

alexandre disse...

davi, na parte do Desmond vc devia ter colocado SPOILER na parte q ele fala dos roteiros q foram achados em um restaurante. nem sabia dessa historia de jack e demond.

Davi Garcia disse...

Pode ficar tranquilo porque não vai estragar em nada sua surpresa até porque não se comentou o que havia especificamente no tal pedaço de roteiro cujas cenas muito menos foram confirmadas como verdadeiras ou falsas. É pura especulação e isso, claro, não é spoiler.

A.A. disse...

mãe terra?

Fábio Lins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Victor Assis disse...

Bem legal as entrevistas, a que mais gostei foi a de Desmond(um dos meus personagens favoritos junto ao dude, Hurley).
Esperando pra ver o q esses proximos episódios nos reservam e espero q me surpreendam. E que me de uma vontade enorme de comprar o box da série e assistir td de novo...

Nati Lukjanenko disse...

Lost é o que há!

Hudson Maciel - Arquitetura e Urbanismo UFMG 2009 disse...

Concordo MUITO com a Evangeline à respeito da opinião dela em relação à serie se tratar mais do acidente do Avião. A busca da sobrevivencia deles eram muito mais importante, para mim, do que a mitologia da série.

Quando revejo alguns episódios da 1ª temporada me bate uma saudade, são "simples" e ao mesmo tempo muito complexos e marcantes.

É um fato que a série mudou mas felizmente não desagradou o publico em geral.

speak disse...

Interessante a entrevista da Evangeline, parece que ela não gosta do que faz, nem da série... fazer o que, a personagem dela é um saco mesmo, protagonizou o pior episódio da última temporada, uma pena.

E não é que ela ainda deu spoiler de um episódio que ela nem aparece!?

jjj klas disse...

Mãe Terra? Across the Sea = mitologia pura e concentrada em 42min.

Edinho disse...

Sempre muito legais essa entrevistas. Agora, a parte que está escrito Spoiler realmente tem um spoiler considerável. =)

Blondie disse...

Evangeline Lilly (Kate) confirmando à New York Magazine que vai abandonar a carreira de atriz por um tempo???

Sério???
Que boa notícia! Graças a Deus!! Uhuuuuu!

Kkkkkkkkkkkkkkk! Foi só pra descontrair, viu gente? Essa ansiedade pelo episódio de hoje está me matando :P

Zeca Soneca disse...

Boas entrevistas... com exceção da entrevista com Henry Ian Cusick (Desmond). Essa(e) repórter me provocou vergolha alheia...

Allan Dirac disse...

Droga, li sem querer o spoiler da parte da Kate :(

Mas, achei interessante...

ze das couves disse...

Mãe Terra?

Vai ser multada!

Evaristo disse...

@Zeca Soneca Concordo! Aquela pergunta sobre o Desmond não aparecer no poster da sexta temporada foi o fim! Precisou ele explicar o que qualquer fã atento já sabia: que seu personagem não era regular nessa temporada.

Vinicius Lima disse...

Fui só eu que achei a Lilly escrotinha, deveras ingrata e pouco interessada?

Sílvia disse...

adorei as entrevistas...

já sabia sobre a Evangeline Lilly não querer mais atuar, e sempre achei estranho... e continuo achando mesmo depois de ler agora o argumento dela xD Faz sentido claro...mas não deixa de ser estranho ._.

o ator do Desmond parece ser tão simpático =D

Anderson Lima disse...

Mãe Terra? boiei!
aehuaheuaheuhauehaue

Gustavo disse...

Muito legal esse post! É incrível ver como Lost foi de fato um capítulo na vida desses atores... 'Desmond' viu seu filho crescer, 'Sawyer' casou-se e viu sua pequenina nascer, tiveram que se ambientar a um novo lar, fizeram novos amigos... como disse 'Kate' ficaram literalmente presos na Ilha. O próprio 'Jim' viveu Lost durante todo esse tempo e podia prever como seria o fim, mas mesmo assim sentiu um grande impacto emocional no último episódio, quanto mais nós sentiremos...


Sobre o que a 'Kate' falou... parece mesmo que ficou um certo rancor da série...
a impressão que dá é que ela tá com dor de cotovelo por que seu personagem não ganhou nenhum destaque no final... Ela deve saber o que os fãs acham dos episódios centrados na Kate...
Achei um baita desrespeito da parte dela entregar esse megaspoiler, que pra bom entendedor já basta pra concluir muita coisa...
Eu leio espoiler numa boa, mas spoiler é coisa pra fã vasculhar... imagine só se cada ator entrevistado revelasse um grande spoiler! ainda mais nessa reta final... a 'Kate' vacilou feio!

Fábio Racoski disse...

Cara... Evangeline Lilly e Kate até parecem ser a mesma pessoa.

Carla disse...

Eu achei incrível a entrevista com a Evangeline, até pq ela foi muuuito sincera, heim?! Ela teve muita coragem para dizer que não conseguia separar a Kate da Evangeline. Os atores não gostam de confessar coisas como esta pois os fazem parecer amadores, mal preparados. E ela não teve vergonha de assumir. Talvez este seja um dos fatores pelos quais ela não se veja como atriz para o resto da vida.
Eu não creio que ela esteja frustrada. A personagem Kate foi uma âncora de LOST. Eu não consigo imaginar a série sem ela. Aliás, eu acho que os criadores da série também não! ;o)
Que a Evangeline seja muito feliz!

PS: sobre o spoiler da "mãe terra": eu não entendi e estou boiando até agora.

Wellington disse...

davi, na entrevista você colocou que o josh diz que a mulher dele é a primeira a falar que ele NÃO é um símbolo sexual. acho que tá errado ou ele se contradiz.

Wellington disse...

evangeline nunca deu uma entrevista tão azeda.

só dá pra concluir que está frustrada mesmo.

falou sobre a perca da liberdade, sobre largar o treco de atuar, sobre coisas que achava ridículas no roteiro da kate, sobre não ter gostado quando a série deixou de ser simples, sobre como a triângulo era só onda pra pegar a mulherada e por aí foi...

tá magoadinha mas vai nos brindar com um ''tchauzinho''

Hugo_O disse...

Interessante o nome da filha do Josh Holloway: Java. É o nome de uma ilha perto da Indonésia (e de uma linguagem de programação, claro).

E não sei pq o pessoal cisma tanto com a Evangeline Lilly... Enfim, não posso falar se ela está frustrada com atuação em geral, mas pode ser que ela prefira os bastidores. Outra coisa que eu penso é no assédio que todo o elenco deve sofrer. Tudo bem q tem o amor pela arte, mas eu mesmo acho que não lidaria bem com isso.