09/09/2009

Lost ganha documentário e série de entrevistas do Bafta

Confirmando sua importância e apelo, Lost foi homenageada recentemente pela tradicional Academia Britânica de Artes do Cinema e da Televisão (BAFTA na sigla original) com um pequeno documentário. Além disso, há também uma série de entrevistas que explora através de depoimentos dos produtores/roteiristas Damon Lindelof e Carlton Cuse e do também produtor/diretor Jack Bender, o processo de criação e desenvolvimento da série que é considerada um dos dramas mais impactantes da história da tv. Também partes interessantes dessa série, são os segmentos que revelam histórias curiosas das carreiras de cada um deles. Imperdível para todos os fãs de Lost.

Assista os vídeos e leia mais...

    - Exibida em cerca de 200 países, como ressalta o apresentador Andrew Collins, Lost é vista praticamente em todas as partes do mundo, um privilégio pouco comum para séries.
    - Falando sobre detalhes de como a série nasceu, Damon Lindelof e Carlton Cuse contam que a ABC desenvolveu a ideia com Aaron Spelling (produtor famoso já falecido), mas que mais tarde JJ Abrams foi contratado para reescrevê-la, o que ele fez com a ajuda de Lindelof, que àquela altura era ‘apenas’ um roteirista mediano fã do criador de Felicity e Alias.
    - Repetindo algo que já havia confidenciado em entrevistas anteriores, Lindelof fala que entre a entrega do primeiro roteiro e o respectivo sinal verde da ABC para que a série saísse do papel, se passaram apenas duas semanas, período em que a produçào já estava no Havaí dando início às gravações do episódio Piloto.
    - Também repetindo uma informação já dada antes, Carlton fala que o conceito inicial de Lost se concentrava nos 12 episódios encomendados pela ABC, mas que depois da exibição do Piloto e da resposta altamente positiva do público (a audiência passou dos 21 milhões à época), eles tiveram que se reunir e destrinchar a mitologia da série que fatalmente duraria algumas temporadas.
    - Além de Damon e Carlton, há outros cinco ou seis roteiristas, que no início de cada ano passavam cerca de 2 ou 3 semanas planejando a trama e os arcos dos personagens. A partir daí, a história era quebrada nos episódios que constituem a temporada.
    - Andrew Collins destaca que o grande esforço dispendido no processo de produção da série era tornar o que a princípio seria impossível em algo possível. Dessa forma, o diretor Jack Bender fala do espaço dado à criatividade dos envolvidos no momento de gravação das cenas e comenta sobre o trabalho que cercou três cenas específicas. A primeira delas foi a que introduziu Locke para os outros personagens no início da 1ª temporada, quando Locke interrompe uma discussão sobre comida lançando uma faca num banco do avião. A segunda sequência destacada pela construção emocional que a envolveu, foi a da morte do roqueiro Charlie no final da 3ª temporada, cena que fez milhares de fãs da série chorarem e cujo momento mais marcante (Charlie fazendo o sinal da cruz pouco antes de morrer), foi ideia do próprio Dominic Monagham, como confidencia Jack Bender. Já a terceira cena comentada foi a do primeiro flashforward, quando um desesperado Jack diz aos berros, “We have to go back!” Sobre ela, Carlton pega o gancho e fala das motivações de se usar os flashbacks e flashforwards para narrar aquela história, e que o uso deste último surgiu em parte, para desafiar a noção de que o final da história seria concentrado em mostrar a saída da ilha.


    - A série foi feita à medida em que evoluia? Damon e Carlton comentam sobre a pergunta que mais ouvem, e voltam a falar que a falta de um ponto final estabelecido de fato os manteve presos à jaulas criativas (assim como os personagens de Jack, Kate e Sawyer no início da 3ª temporada) e que a decisão da ABC em lhes dar uma data final, proporcionou a eles a chance de finalmente traçar os pontos que ainda mereciam ser cobertos no caminho que os levasse ao final que queriam contar.
    - Falando sobre o processo de seleção de elenco, Carlton Cuse comenta sobre a surpresa de ver um ator como Michael Emerson entrar para a série para fazer uma participação especial de três episódios como um mero prisioneiro, e de repente se tornar o líder dos Outros e uma figura essencial para os rumos da trama.


    - Nesse vídeo, o produtor e diretor Jack Bender fala sobre como funciona o trabalho de direção dos episódios de Lost e conta que no início de cada temporada, ele gasta cerca de oito dias para preparar o início das filmagens, planejar as locações e etc. Essa preparação prévia no entanto, não dura muito, já que à medida em que a temporada progride, os roteiros finalizados acabam chegando cada vez mais tarde às mãos dos diretores que com isso, às vezes tem que começar a gravar contando apenas com esboços da ideia que será explorada no episódio.
    - Bender, revela também que é lendo os roteiros que ele acaba tendo ideias que mais tarde incorpora na gravação que ainda podem contar com insights dos próprios atores nos sets. Assim, para Bender, seguir o roteiro estritamente não é sempre essencial, já que essa reflexão/discussão prévia permite que o produto final fique ainda mais interessante.


    Havia basicamente três estágios no processo de roteirização da série, conforme conta Carlton Cuse. O primeiro foi estabelecer a grande mitologia da série, algo que foi desenvolvido entre a 1ª e a 2ª temporada, segundo ele. O segundo estágio é estruturar as ideias que são exploradas a cada temporada em discussões que duram cerca de duas ou três semanas. A seguir vem o trabalho mais pesado que é o de quebrar as ideias em episódios e tomar as decisões sobre o que será contado e quando dentro da narrativa.


    Nesse vídeo, Carlton Cuse conta com o humor que já lhe é peculiar, como foi o início de sua carreira que teve momentos nada glamourosos trabalhando praticamente como office boy de um produtor. Mais tarde, destacou ele, seu trabalho lendo vários roteiros para um outro produtor, o fez perceber que também poderia fazer aquilo. Assim, em suas horas vagas ele se dedicava a escrever algumas coisas que nunca deram em nada até o dia em que ele colaborou com um amigo no roteiro de um Piloto de uma série chamada Crime Story, que à época produzida por Michael Mann (hoje um diretor famoso e respeitado), acabou sendo seu primeiro grande trabalho.


    Também com muito humor, Damon Lindlof fala que seu interesse nasceu na escola de cinema de Nova York, que por ter bom treinamento artístico, mas pouco foco no processo industrial e de negócio, o fez buscar experiência onde tudo acontecia: Los Angeles. Num período de quatro anos em que trabalhou para um agente tentando identificar os critérios que ele usava para fechar contratos, e para produtor da Paramount começou a pensar sobre si mesmo como uma commoditie e começou a escrever roteiros que como no caso de Carlton, também nunca deram em nada. Depois de cinco anos, ele finalmente teve sua chance numa série que acabou precocemente cancelada, mas que abriu as portas para que ele entào tivesse seu primeiro trabalho numa série chamada Nash Bridges, cria de um certo Carlton Cuse.


    Além de falar sobre sua paixão pela pintura (algo que vem desde garoto e que já foi vista nos quadros de Lost), Bender fala que começou a carreira como ator (preguiçoso, segundo ele) fazendo muitos papéis esquisitos. Contudo, foi quando dirigiu sua primeira peça, que sentiu que aquilo era o caminho a seguir. Assim, um de seus primeiros trabalhos atrás das câmeras, foi com Steven Spielberg então com 21 anos, a quem observou e serviu como incentivo para que voltasse à escola de cinema, onde acabou dirigindo seu primeiro curta que por sua vez acabou abrindo as portas para novos trabalhos de direção.

3 comentários:

Lucas Rodrigues disse...

Massa as intrevistas!
Interessante saber sobre como eles começaram!
Valeu!

isolanii disse...

Juu Ramanzini s2 ;p
Entrevista curiosa, mas nada muito novo..
Quero ver template novo no blog! :X

sofia martínez disse...

Interessante, bem merecido. Com "Lost" muitos se queixam sobre o ritmo desta série, mas não podemos negar é que o sucesso era indiscutível, as primeiras temporadas foram os mais recentes de luxo, mas perdeu o contato, eu acho que foi uma excelente série, mas abusou temporadas. Pela forma como seus criadores têm feito o suficiente bons empregos, por exemplo, Damon Lindelof criado com Tom Perrotta “The Leftovers” que está agora em sua nova temporada, uma série baseada em um romance sombrio. Enquanto isso J.J. Abrams continua com excelentes e divertidas propostas. Em suma, os criadores de “Lost” são gênios, eu amo o seu trabalho.