29/04/2009

Especial 100º episódio – A longa jornada de Lost teve um começo apressado

O time criativo da ABC se apressou para fazer o piloto.

Por Shawna Malcom para a Variety

Lost nunca foi pensada para os que tem coração fraco.

Pergunte àqueles que foram responsáveis pela ambiciosa existência do drama da ABC. Lembrando de como no início de 2004 o time criativo teve meras 10 semanas para escrever, selecionar elenco e gravar o piloto todo, o co-criador da série, J.J. Abrams ainda fica maravilhado com a forma na qual a série sobre sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha do pacífico sul decolou.

“Estávamos desesperados para concluir o piloto”, lembra o produtor executivo, que também dirigiu o influente primeiro episódio. “Olhar para frente significava o próximo dia de gravações, não os 100 episódios de agora.”

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    Um flash forward de cinco anos quando Lost atinge essa marca. Um sucesso instantâneo para a ABC e vencedor de Emmy e Globo de Ouro, Lost agora figura entre os dramas mais respeitados – sem mencionar dissecados – na história da tv, graças a seu equilíbrio de mitologia complexa e desenvolvimento de nuances de personagem. Então, é claro, que existem aquelas viradas de trama.

    “Há geralmente um ponto dentro de cada encontro que vou em que falo, ‘Vocês querem fazer o que?’” diz Stephen McPherson, presidente da ABC, sobre suas reuniões com o co-criador e produtor executivo Damon Lindelof e o produtor executivo Carlton Cuse, que comandam a série juntos desde o início da primeira temporada. “O fato de que eles não tem medo de assumir riscos é o que faz Lost ser tão inovadora e empolgante.”

    A trama mais ousada de Lost no entanto, não aconteceu nas câmeras; ela ocorreu nos bastidores três anos atrás quando a rede anunciou que a série seria encerrada depois da sexta temporada em 2010. O anúncio era inédito na tv. Geralmente, as redes apoiam as séries até o ponto em que a audiência cai, e àquela altura os produtores estavam discutindo com McPherson e então com o presidente dos estúdios ABC, Mark Pedowitz, quando Lost estava confortavelmente no top 15 da Nielsen e dominava seu horário.

    O que os produtores estavam pedindo, como Cuse comenta, era estabelecer um ponto final para a série, algo que eles sentiam ser o único caminho para preservar a integridade criativa da série e acalmar os fãs que estavam preocupados que estivessem queimando energia numa mitologia que só crescia como um labirinto.

    “Ao longo das três primeiras temporadas, o público estava literalmente nos perguntando, ‘Vocês sabem o que estão fazendo? Há algum plano?” Lindelof diz.

    “Precisávamos dizer ao público onde o marcador estava no livro”, acrescenta Cuse. A metáfora do livro é coerente: parte das inspirações dos produtores ao pedirem uma data final veio de J.K. Howling, que anunciou cedo em sua série de livros do Harry Potter que a saga terminaria depois do sétimo livro.

    “Ao anunciar a data de encerramento”, Cuse disse, “nós sinalizamos que tínhamos um plano, portanto vocês puderam ficar aliviados co ma certeza de que seu investimento na série teria recompensa.”

    McPherson e Pedowitz concordaram. “Havia um senso real com essa série de que havia um início, um meio e um fim”, McPherson diz. “A preocupação, que ouvimos em alto e bom som, era que se o meio fosse infinito, então teríamos o legado criativo da série diminuído.”

    O produtor executivo Bryan Burke acrescenta: “Nós sentíamos ter uma grande responsabilidade com as pessoas que se dedicaram à série ao longo desses anos, e nosso trabalho é fazer o melhor que pudermos. Nós levamos isso muito a sério. Financeiramente, tenho certeza que algumas pessoas prefeririam que a série continuasse para sempre, mas num nível criativo, você não quer passar do ponto.”

    A decisão poderia provar ser algo sem precedents.

    “Há certas séries que precisam planejar seus finais”, diz McPherson, embora as de procedimento não precisem. “Séries em que você apenas tem o caso da semana não precisa ter isso planejado.”

    O impacto da decisão em Lost foi inegável e imediato. Semanas após assegurar a data final, Lindelof e Cuse – que ao mesmo tempo, assinaram novos contratos garantindo-os à frente da série até o fim – revelaram sua marca registrada através do flash forward no final da terceira temporada que mostrou Jack e Kate vivendo fora da ilha. A série vem caminhando bem desde então, empolgando os fãs e dando liberdade aos roteiristas.
    “Ter um fim para a série realmente fez toda a diferença”, disse Cuse. “Significava que poderíamos pisar no acelerador.”

    “Quando anunciamos a data final, as pessoas diziam pro Carlton e para mim, ‘Wow, mais três temporadas? Isso parece muito’ ”, disse Lindelof com uma risada. “Agora, na quinta temporada, as pessoas começaram a dizer, ‘Vocês acham que tem episódios o bastante para fazer tudo que precisam?’ ”

    Eles tem e insistem que vão fazer. Com a quinta temporada acabando, os dois já começam a mapear os pontos intrincados da sexta temporada, que Lindelof classifica como emocional. “Subitamente estamso fazendo coisas que começamos a falar anos atrás”, ele diz. “Estamos com aquela sensação de que está acabando. Realmente estamso terminando a série.”

    Não que eles se arrependam da decisão.

    “Nunca tivemos qualquer sensação de termos cometido um erro”, Lindelof insiste. “É exatamente o contrário. Há essa sensação de conclusão e de empolgação. Tem sido uma jornada e tanto.”

    Nós que o digamos, não é mesmo?

    *-*-*

    A tradução dessa matéria originalmente publicada pela Variety, faz parte da comemoração pelos 100 episódios da série.

6 comentários:

renancst disse...

Certamente!

Eles estão certos, a serie tem que acabar enquanto existe emoções e duvidas, tentar prolongar isso, pode fazer com que Lost se torne uma serie sem contéudo!

Cecilia disse...

Ah, não quero que acabe... Mas admito que é preciso. Realmente, enrolar "forever" não daria certo, a série se perderia. Que bom que eles foram sensatos e perceberam isso. Lost ficará para história, com certeza! E para sempre com uma das minhas séries preferidas. Parece até que foi ontem que assinei aquela petição para a ABC aprovar o piloto, sem nem ter visto! (o que não faz uma fã de Dominic Monaghan) ahhahahahaha

Gabizinha Vidal -Santos -SP disse...

Como muitos pensam eu tb não queria q Lost acabasse mas isso é o correto, se não ficaria tudo muito enrolado, sem nexo sem coerencia coma estória , enfim, mas quando eu estava lendo essa noticia e li na parte q eles falam
Estamos com aquela sensação de que está acabando. Realmente estamso terminando a série.”
meus olhos se encheram de lágrimas. Mas faz parte né gente.

Brunhild Dablemont disse...

Tambem tenho pena de a serie acabar, mas eh necessario senao iriam continuar enchendo de misterios e nunca solucionando...

Uma pergunta: alguem aqui sabe me dizer se eles cogitam continuar Lost e livros, por exemplo? Acho que seria muito bacana que continuassem a mitologia da serie em forma de livros!

_ricardo disse...

bela cobertura essa do 100º episódio.muita expectativa para assistir o episódio de hoje.

ah, tem uns errinhos de português aí no post. 'estamso' em vez de 'estamos', of course. mas acontece


contagem regressiva: 1h e 1 minuto para 'The Variable'

rhb disse...

“Estamos com aquela sensação de que está acabando. Realmente estamso terminando a série.”

Agora.. depois de ver "The Variable".. penso:

"Estou com aquela sensação de que está acabando"!!!