28/10/2007

Entrevista: Nikki Stafford autora do livro "Finding Lost"

Na última 2ª feira postamos sobre o lançamento do livro Descobrindo Lost - O Guia Não Oficial da 3ª Temporada e se o texto já dava uma bela impressão do que trata o livro, que tal uma entrevista com a própria autora?

Nikki Stafford conhece a tv e conhece os fãs da tv. Por vários anos a autora canadense vém combinando seu talento com a escrita e sua sensibilidade para contar histórias e criar guias para séries como Buffy, Xena, Angl, Alias e mais recentemente, Lost. Stafford sabe melhor que ninguém que a base de fãs de Lost é orgulhosa quando o assunto é manter uma gama de conhecimento sobre os mitos, personagens, lugares e mínimos detalhes sobre a série. A autora alcançou sucesso criando livros para um público que sem dúvida poderia ser chamado de difícil de se agradar. Abaixo você confere a entrevista com Nikki onde ela conta como é o processo de criação de livros para fãs tão fanáticos.

Você vê os fãs de Lost tão difíceis de se agradar quanto os produtores dizem ser?

Como alguém que faz parte desse grupo, eu sei que exijo muito dos produtores, e como resultado, provavelmente faço o dobro de pesquisas para os livros de Lost comparando às que fiz para os livros de outas séries. Trabalhei muito para escrever os guias de Buffy, Angel, Alias e Xena, mas quando se trata de Lost, me sinto como uma estudante universitária novamente, checando minhas pesquisas e nunca diminuindo o ritmo por medo de ver o professor encontrando erros no trabalho. Graças a Deus, é recompensador, e mesmo recebendo emails de pessoas apontando erros mínimos que nem deveriam ser considerados como tais ou pequenas coisas que deixei de fora, não recebo muitos mais do que recebi dos outros livros. Na maior parte das vezes recebo emails de pessoas que me agradecem por fazer o trabalho, o qu faz tudo valer à pena.

Com Lost sendo tão complexa, o que você acha que mantém o interesse das pessoas tão vívido quando muitas delas admitem não entender bem a história?

Como eu já disse antes (e também nos livros), Lost é o tipo de série que pode ser vista de duas formas. Você pode assistir a série casualmente (embora ultimamente isso seja bem difícil de se fazer) e curtir o episódio, comentar com a pessoa ao seu lado, e então trocar o canal para ver o ue mais está passando. A série conta com um grupo incrível de roteiristas e atores como nenhuma outra na televisão, portanto a narrativa semana a semana retém a atenção da audiência e os faz voltar semana após semana. Mas se você quer um algo mais da série, então você pode assistí-la, rever o episódio, acessar a internet e discutir sobre ele, pesquisar sobre as referências literárias, históricas e filosóficas em enciclopédias ou sites, tentar encontrar os números do Hurley, etc. Os caras que escrevem a série sabem que há uma grande quantidade de espectadores da série fazendo isso, e por isso começaram a direcionar a história mais para eles, e a colocar mais easter eggs do que havia antes. Você pode fazer a série tão complexa ou descomplicada conforme quiser, dependendo do nível em que assiste. Eu acho que ver a versão complexa é muito mais divertido, e não poderia me imaginar vendo apenas a versão superficial da história, mas sei que muitas pessoas o fazem.

Que outros livros você escreveu?

Escrevi um livro sobre Buffy chamado "Bite Me" (Me Morda) em 1998 e então o atualizei em 2002. Uma versão final com todas as sete temporadas será lançada em breve. Meu primeiro livro chama-se "Lucy Lawless e Renee O'Connor: Warrior Star of Xena", e foi quando estabeleci o jeito que escreveria meus guias de episódio - um sumário pequeno sobre a trama, e mais sobre o que acontecia além da superfície. Escrevi livros sobre Angel ("Once Bitten") e Alias ("Uncovering Alias", co-escrito com Robyn Burnett) em 2004, e então o primeiro "Finding Lost" cobrindo as duas primeiras temporadas que foi lançado em 2006, e o segundo volum cobrindo a 3ª temporada que acaba de ser lançado. Também editei livros que traziam histórias sobre como Xena mudou suas vidas, e outro sobre como Star Trek as afetou.

A edição da 3ª temporada do seu guia de Lost tem alguma diferença em formato comparada ao volume anterior?

Não, ele segue o mesmo formato: um guia para cada um dos episódios, seguidos por um capítulo que destaca alguma parte daquele episódio. Há capítulos sobre o livro "Uma Breve História do Tempo" de Stephen Hawking; sobre a série de tv "O Prisioneiro" (série de tv dos anos 60); "Ardil 22" de Joseph Heller; sobre o filósofo David Hume (sobrenome de Desmond); o Lost Experience, e muitos outros. E também várias notas que chamam a atenção sobre coisas engraçadas que podem ser encontradas em cada episódio.

Com a série mudando o jeito com que lida com o tempo, você se preocupa em ter que voltar para o início e reescrever os guia novamente para ter o contexto exato para tudo?

Na verdade não. Os livros são feitos para serem lidos com a série, portanto se você está assistindo o piloto pela 1ª vez, pode fazê-lo e então abrir meu livro para ler o guia do 1º episódio para descobrir todas as pequenas coisas que pode ter perdido e ter um conhecimento mais profundo daquele episódio. Se eu reescrever esse guia levando em conta o que vá ser revelado na 4ª temporada, por exemplo, isso subitamente traria vários spoilers e o leitor não saberia quando seria seguro começar a ler os livros. Portanto eu gosto deles do jeito que são, e quando novo é revelado, vou siplesmente mencionar o episódio que foi afetado no guia, mas não vou voltar para revelá-lo antes. Os livros passam por um teste de audiência - Fãs antigos o lêem para me dar a certeza que não fiz nada errado, e os novos tentam lê-lo enquanto assistem os episódio para me dar a garantia de que não entreguei nenhum spoiler para eles. É como um experimento de pesquisa.

Os produtores de Lost ou alguém relacionado à série já lhe parabenizou pelos livros?

Ainda não (disse ela esperançosamente). Tenho muito cuidado para não chatear as pessoas da série - você tem que assistir os episódios para entender meus livros, e você certamente não poderia lê-los como substitutos para a série. Estou constantemente tentando ganhar novos fãs para a série atavés do meu blog, onde falo sobre ela semana após semana e encorajo os fãs mais antigos a não desistirem. Não tentei contactar nenhum dos produtores ou alguém do elenco para o livro, porque não é esse o intuito. Não estou à procura de entrevistas, mas sim de um olhar da série sob a perspectiva de um fã.

Quais são suas impressões sobre os fãs? É algo sadio ou algumas pessoas exageram?

Ah, com certeza algumas pessoas vão longe demais e levam muito a sério os personagens ou a série (Já quase vi fãs de Buffy sairem no tapa por causa de um debate sobre Bangel x Spuffy). Mas na maior parte das vezes é divertido. Algumas pessoas se dirigem a mim nas convenções e me pedem para tirar fotos e autografar coisas que não são os livros mas é tudo parte da diversão. Já fui seguida por algumas pessoas nas convenções qurendo começar uma discussão sobre algo que eu escrevi, mas esses geralmente são inofensivos. Já recebi ameaças de um grupo de fãs de Buffy que levaram uma certa história muito a sério, e isso foi doloroso e chato, mas temos sorte pois eles são poucos e ficam longe não aparecendo para arruinar a festa o tempo todo.

Quais são suas impressões sobre as novas séries de 2007, e há alguma pela qual você se sinta atraída para escrever um livro?

Comecei essa temporada da tv sabendo que teria muito tempo para assistir tv (tive meu segundo filho em 23 de setembro). Estava muito empolgada com algumas séries, pouco empolgada com várias delas, e nada empolgada com outras. Passado 1 mês e meio, não consigo acreditar no quanto minhas opiniões mudaram. Pensei que Bionic Woman seria a série mais legal de todas, mas foi um grande desapontamento para mim. Não consigo entender como ela pode ser tão chata. Cane começou bem, mas já a abandonei também. Estava interessada em Chuck, e é uma das minhas favoritas agora. Não me interessei muito por Gossip Girl até uma amiga me obrigar a vê-la, e agora ela é meu guilty pleasure. Reaper é engraçada também (ainda que bem parecida com Chuck), e Dirty Sex Money é igualmente divertida. Journeyman era uma pela qual eu estava muito, muito empolgada, e teve um primeiro episódio excelente, mas tem perdido a força desde então. Ainda estou intrigada com ela, e continuo assistindo. Mas a minha favorita dentre todas é mesmo Pushing Daisies. Essa série é absolutamente brilhante - engraçada, triste, doce, emocionante e estranha. Nunca vi uma série como essa, e estou totalmente empolgada com ela. Aliens in America é outra que não dei muita bola, mas tem sido hilária até agora.

Sobre escrever livros no entanto, nenhuma delas tem o critério que uso. Todas as séries sobre as quais escrevo tem algo além da superfície que pode ser explorada: Lost com seus muitos mistérios e referências culturais, históricas e religiosas tem coisas precisam ser explicadas; Buffy com seu folclore e mistura de lendas é outro exemplo. E mesmo amando Pushing Daisies, ela ainda é uma série em que você diz que há uma referência ao ursinho Pooh, ou algo do tipo, e não dá para escrever mais do que isso. Portanto por enquanto vou ficar só com Lost.

Que outras séries você assiste?

Heroes foi brilhante na temporada passada (exceto pelo final) mas o início dessa 2ª temporada tem sido lenta, mas tenho fé que vá melhorar. Adoro The Office, e 30 Rock. Considero The Wire a série mais inteligente da tv e mal posso esperar pelo início da última temporada em janeiro. Os críticos falam muito que Friday Night Lights foi fantástica na 1ª temporada e então peguei os dvds e vi tudo na semana que antecedeu a chegada do bebê, e agora sexta-feira à noite é dia de ficar no sofá à espera de um novo episódio.

Mas no fim das contas, Lost ainda é minha série favorita, graças a Deus. Chega logo fevereiro. Essa espera está me matando.

Entrevista por Jon Lachonis para o BuddyTv
Traduzida e adaptada por Davi Garcia

2 comentários:

Ben disse...

Já existe a tradução para o português? Como faço pra comprar um exemplar em terras tupiniquins?

Obrigado

Dude! We are Lost! disse...

Ainda não tem uma tradução para o português. Mas, quem quiser muito comprar, fica a dica da Amazon, que entrega a versão em inglês no Brasil!