07/09/2007

Opinião: Como Lost vai terminar

Por Jon Lachonis para o BuddyTV
Traduzido e adaptado por Davi Garcia

Como Lost vai terminar? Essa é a pergunta mais repetida dentre os fãs continuamente. Contudo, será que essa é uma pergunta que realmente queremos ver respondida? Como essa resposta virá? E o que virá depois de Lost? No grande plano da televisão, Lost ocupa uma posição que a habilita como paradigma. Há uma razão pela qual mesmo com quase 50 anos de diferença, a comparação mais próxima seja com The Twilight Zone. No ínterim, tivemos similares na fábrica do entretenimento televisivo; O Fugitivo, O Priosioneiro, Twin Peaks, Nowhere Man, séries que combinavam arte com conceitos elaborados e que desafiavam a fórmula 'feijão com arroz' dos grupos guiados pela cultura corporativa.

A vantagem de Lost quando se trata de brigar por uma posição no quadro estável dos mitos duráveis da televisão, é o fato de que seus criadores têm a oportunidade de terminar a história como desejam. E é claro que a palavra ' criadores' é um termo um pouco vago quando se trata de Lost. Originalmente concebida com um conceito um pouco diferente, Lost cresceu com cada mudança de sua estrutura hierárquica. Muitas das pessoas que estavam lá no começo, agora estão na periferia da engrenagem principal, ou buscaram outros projetos. E ainda assim, a história continua. Até 2010.

Como será o final de Lost? Uma grande onda de ansiedade atingiu a comunidade de fãs da série quando os produtores falaram positivamente sobre o final da série Família Soprano, mas não se preocupe. Tanto Damon Lindelof quanto Carlton Cuse garantiram que Lost não terá um final com 'tela vazia'.

É bem possível que Lost termine de uma forma inesperada mesmo para aqueles que desenvolveram um tipo de anestesia mental para as reviravoltas dos mistérios, adotando um novo paradigma como parte da Experiência Lost e apenas dando prosseguimento aos impactos da trama.

De temporada em temporada, Lost procurou em um certo nível, resolver os mistérios da temporada anterior e introduzir novos que provocam o debate sobre os conceitos fundamentais da série que são a redenção, o sacrifício, e a polarização entre a fé e a razão. Os fãs podem ter se prendido aos pequenos mistérios que a série carrega, mas em um panorama maior, cada nova temporada trouxe consigo um novo palco para o show.

A primeira temporada foi centrada nos personagens e deu pequenas dicas do que viria pela frente, como por exemplo a escotilha e a presença dos Outros, e claro, o monstro. A 2ª temporada dedicou-se a explorar o conhecimento sobre o que era a Iniciativa Dharma e começou a construir a base do mistério de quem eram os Outros, enquanto lidava com as motivações do pessoal da Dharma. A 3ª temporada por sua vez, tratou de quem eram os Outros e começou a lançar dicas sobre as conexões das pessoas que habitavam a ilha originalmente.

Enquanto certamente aprendemos algumas coisas sobre a história da ilha e das pessoas que ali estão, uma constante na série é o conceito da natureza humana. Esse tema já foi colocado em cada um dos grupos até agora, e parece estar ligado à natureza da ilha de uma forma que ainda não foi totalmente compreendida.

Se for verdade que os temas da redenção, sacrifício, e da disparidade entre a fé e a razão são o coração da série, seria lógico assumir que a grande virada da série seria uma que de certa forma se livre das hipérboles da trama presa às disputas entre os Outros, Dharma, e os sobreviventes, e aqueles que chegaram à ilha. Se a série é realmente sobre a condição humana, seu fim deve neutralizar, de uma forma contida, a frivolidade dessas aventuras e nos deixar focados e refletindo sobre as dimensões pessoais dessas jornadas.

Qual vai ser o formato dessa leva final de histórias é difícil imaginar, mas quer ela termine da forma mais satisfatória, ou do modo mais frustrante e absurdo, seu lugar no rol nobre estará reservado com a distinção de ter se tornado um mito da televisão que terminou como bem queria.

3 comentários:

Eduardo disse...

Acredito que a proposta do lost experience seja um desafio para arriscar os possíveis finais.
O seriado em sua integridade me proporcionou uma experiência SCI-FI inesquecível. mas tenho que admitir, a minha dedicação fez com que eu desvendasse grandes eventos, e ao mesmo tempo, me fez aproveitar cada episódio...quem pegou o bonde andando ficou fora desta experiência.

Gabriel Reis disse...

Vcs legendaram o vídeo que a revista super-interessante fez uma matéria? Não encontrei aqui no blog. É uma nova orientacao (Station 6, the Orchid), sobre o efeito Casimir.

Dude! We are Lost! disse...

Olá Gabriel, neste post http://dudewearelost.blogspot.com/2007/08/colunista-da-ew-fala-sobre-jacob-e.html você encontra o vídeo que foi legendado pelos amigos da Lostpedia ;)