07/08/2007

Como Lost quase virou 'Nowhere'

O texto abaixo traz um relato interessantíssimo para aqueles que como eu, adoram saber tudo o que cerca os bastidores de Lost.


Por Jon Lachonis para o BuddyTv
Traduzido e adaptado por Davi Garcia

A Chicago Magazine publicou um artigo interessante sobre os bastidores do passado de Lost que muitos desconhecem. Esse passado contudo, devia ser familiar de todos já que uma parte específica dele aparece nos créditos de todo episódio da série. A tal parte atende pelo nome de ‘Nowhere’ (lugar nenhum ou simplesmente lugar desconhecido em português) e o homem que a escreveu chama-se Jeffrey Lieber. A história de como ‘Nowhere’ morreu antes mesmo de nascer e como Lost tomou seu lugar é algo que a mídia de entretenimento fala com relativa discrição. Como o piloto rejeitado de Jeffrey Lieber para ‘Nowhere’ o permitiu morder uma grande fatia da torta de Lost (leia-se direito a dividendos) além de lhe garantir os créditos de “Criado por”, é algo que muitas pessoas prefeririam não discutir.

A lenda que corre é a de que Lloyd Braun, ex-presidente da ABC, então perto de se aposentar, desafiou um grupo de criação da emissora a entregar uma idéia para uma nova série. O tal grupo tinha a missão de apresentar o ‘próximo mega sucesso’ da tv. A contribuição de Braun teria sido uma série inspirada no filme Náufrago estrelado por Tom Hanks, e cujo conceito foi mostrado a J.J. Abrams, que por sua vez trouxe Damon Lindelof, com quem dividiu o ônus de dar corpo à produção.

No entanto, a realidade não foi bem assim. O time de Braun teria feito de tudo para colocar a série em produção, chegando até mesmo a envolver a produtora do falecido Aaron Spelling no desenvolvimento do piloto. Jeff Lieber por sua vez, foi contratado para criar o conceito inicial, um drama de sobreviventes isolados em um lugar desconhecido recheado de realismo, amarrado com uma narrativa tirada diretamente do clássico ‘Senhor das Moscas’.

À medida que o desenvolvimento corria, Lieber sentiu-se confiante que o projeto seria levado adiante até o dia em que recebeu a notícia que tanto ele quanto a produtora Speling estavam sendo ‘desligados’ da produção. O conceito simplesmente não era o que a ABC procurava. Essencialmente, eles (da ABC) encararam ‘Nowhere’ como um conto rasteiro de pessoas isoladas, e chegaram à conclusão de que precisavam de algo que pudesse se revitalizar conceitualmente e manter a audiência ligada nas temporadas que viessem pela frente. E foi aí que J.J. Abrams e Damon Lindelof entraram na história.

Lieber claro, não ficou nada contente e reclamou à Writer’s Guild ( uma espécie de Conselho arbitral de roteiristas) o direito de receber o crédito de criação e uma parte igual da divisão da torta por sua contribuição. O rumor é que a ABC não concordou com isso, afinal, o que ele tinha escrito era essencialmente uma releitura das histórias de Robinson Crusoé, do autor Daniel Defoe. Ele havia declarado abertamente que o arco central da narrativa era inspirado no ‘Senhor das Moscas’. A única coisa que Lieber não havia feito era pegar clichês batidos a dar a eles um instrumento auto-sustentável.

Apesar disso, o Writer’s Guild decidiu a favor de Lieber e exigiu que a ABC o creditasse como ‘criador’ de Lost, bem como lhe pagasse os royalties apropriados para cada episódio exibido.

O que torna a história ainda mais curiosa é que Lieber além de não aceitar a resolução do caso, ainda refere-se à sua vitória como ‘insuficiente’. A razão para isso pode não estar em seu desapontamento de ser ejetado da série. Lieber reclama que, “se alguém tivesse me dito, 'o Lloyd acha que o conceito está real demais, e talvez precisemos de um monstro ou um outro elemento estranho’, eu teria dito, OK, sem problemas. Mas eu nunca tive essa chance”. O que ele não consegue entender, aparentemente, é que ninguém teve que dizer isso a J.J. Abrams ou Damon Lindelof. O crédito de Lieber como criador de Lost e as circunstâncias sob as quais ele o ganhou, são o ponto triste de sua própria declaração. Ele insiste em dizer que ninguém deu a ele o que J.J. Abrams e Damon Lindelof não precisaram pedir, a habilidade de criar algo interessante e com uma idéia arrebatadora que transcende as armadilhas de um conceito clichê.

3 comentários:

Ale Rampazo disse...

Bem bacana esta matéria de bastidores. Aposto que se Lost tivesse sido um fiasco, Lieber não "pediria" seu nome nos créditos. Inclusive seria legal se o Dude dedicasse mais espaço pra matérias traduzidas sobre Lost publicados na gringa e que acabamos não tendo acesso. Parabéns.

Dude! We are Lost! disse...

Pois é Ale, o Lieber foi muito malandro nessa história. O mais interessante é que agora dá pra entender porque um dos caras que tem nome nos créditos nunca se manifestou com relação à série.

E quanto às matérias traduzidas, pode esperar um retorno maior delas por aqui ;)

Abraço

Davi Garcia

Cintia disse...

Um artigo interessante! Gosto muito desse blog e de seus achados. A questão é importante pq já quase me senti uma louca, pq qdo ouvi a chamada da série no AXN antes de sua estréia eu não me agradei dela. Pensei q seria mais uma série sobre relacionamentos, e embora tivesse seu apelo eu não trocaria por outras q passavam no mesmo horário e q eu adoro, as de investigações/mistérios. Ainda q eu adore GG e Friends elas são engraçadas, comédia mesmo, não apenas dramas. Mas um dia, belo dia, eu liguei a TV e passava o fim do 3 ep da 1 temp e me interessei. Depois só vi de novo Solitary (108) aí gamei de vez. LOST pulou para o numero 1 de minha lista, empatando com mais algumas. Mas ao fim da primeira temp separei um quartinho em meu coração só pra ela. Mesmo perdendo alguns capitulos da 1 temp e apenas 2 do ano 2. Descobri os blogs, o Lost Exp e vcs é claro. Aprendi a fazer download, pirateei (mas ainda vou me redimir e comprar a 1temp) ganhei a o 2 box e já to economizando pra 26/09. Essa é a única série q eu já comprei e copiei. Vale a penas dar esse retorno financeiro a JJ, Carlton, Damon e ABC, e agora sei q eles são geniais por terem tirado muito mais de uma história, por terem tirado ela do comum para o extraordinário. Tvz eu assistisse a série em sua proposta original, mas certamente não seria fissurada. Beijinhos Juliana e Davi.