17/09/2006

Extras do DVD - Parte 1

Assim que coloquei as mãos no box de dvd da 2ª temporada, pensei que deveria dividir com quem todos que visitam o ‘Dude’ as impressões que tive ao assistir os extras. Assim, começando por este post, trarei comentários que abrangerão as 3 partes em que eles estão divididos, ou fases, como define o Dr. Marvin Candle no vídeo a la Orientation que ilustra o menu do disco 7. Se você prefere descobrir tudo por conta própria sugiro que não leia o que está abaixo, mas se está curioso aproveite.

FASE 1: OBSERVAÇÃO

Fire + Water: Anatomia de um episódio

É bem provável que o maior mérito dessa faixa seja o de nos proporcionar uma nova maneira de enxergar o processo criativo que se encerra em um espisódio repleto de simbolismos e significados importantes para alguns personagens, mais notadamente claro, o Charlie. É sério, depois que vi esse extra, passei a ter mais simpatia pelo 12º episódio tido por muitos como um dos mais fracos da temporada. Em função do apelo menor do personagem, podemos especular que esse extra foi feito propositalmente ou não para nos aproximar dele, mas é inegável que conhecer os aspectos que levaram Charlie a distanciar-se da linha racional àquela altura na ilha, é parte fundamental para enterdermos a mensagem de seu flashback e nos ajuda bastante a encará-lo como um personagem tão complexo quanto Locke e Eko, por exemplo.

É nessa faixa que descobrimos que todo episódio de Lost começa em uma sala de reunião onde produtores e escritores discutem suas idéias e fazem um rascunho do que se quer alcançar ao final de cada episódio. É o início de uma das várias etapas que levam ao roteiro que será distribuído à equipe envolvida e ao ator principal no episódio apenas 5 ou 6 dias antes do início das filmagens. Fire + Water fala especificamente do desejo de Charlie em proteger a família, que na ilha ele enxerga em Claire e Aaron, e que no flashback ele vira desintergrar-se na relação com o irmão Liam. É também um episódio que vende à audiência a dúvida se Charlie teria voltado ou não a usar drogas.

Nos aspectos técnicos que envolvem o episódio, vemos o trabalho da equipe de produção para encontrar locações em Honolulu que se aproximassem com a Manchester de Charlie e todo o trabalho com o refino na sonorização (que inclui até o próprio Dominic Monagham fazendo dublagem de uma sequência no mar) e na fotografia que marca o episódio. No campo das curiosidades, descobrimos por exemplo, que a casa onde se passa o flashback de Charlie na infância fora a mesma utilizada no flashback de Claire no episódio Raised by Another, quando ela visita o vidente Richard Malkin, e a de que a sequência em que vemos o pai açougueiro de Charlie cortando bonecas é uma referência à capa original do albúm dos Beatles Yesterday and Today que fora vetada pela gravadora.

A certeza que fica ao final dos pouco mais de 30 minutos dessa faixa, é que o trabalho de produção da série é realmente muito bem feito e cuidadoso. Quer seja pela complexidade de se filmar em cenários naturais, ou pelo tempo curto, é impossível (mesmo que você não seja um grande fã) não reconhecer que Lost é hoje uma séria ímpar na tv, não apenas por apresentar um conceito diferenciado, inteligente e que nos leva a várias reflexões, mas por ser igualmente caracterizado por excelência e qualidade em toda sua concepção.

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Lost: na locação
Série de mini making offs de alguns episódios da temporada com entrevistas e curiosidades

Adrift: Basicamente mostra o processo de filmagens das cenas envolvendo Michael e Sawyer nos destroços da jangada (filmagens que consumiram 3 dias), quando se depararam com o famoso tubarão com a marca Dharma, o 1º indício de que algo grandioso acontecia na ilha e que como revela Bryan Burke, um dos produtores, não deveria à princípio ser tão evidente para a audiência em um claro sinal de ‘inocência’ por parte dele, já que os fãs de Lost acompanham com lupas cada episódio da série desde a 1ª temporada.

Everybody Hates Hugo: Traz uma rápida reflexão sobre um dos aspectos do roteiro que reforça o medo de Hurley frente as mudanças, além de declarações e curiosidades dos atores envolvidos nas cenas em que o trio Jin, Michael e Sawyer fica preso no buraco e tem seus primeiros contatos com Ana Lucia, Eko e Libby.

Abandoned: Abre espaço para um aspecto interessante na série que é o da colaboração dos próprios atores no processo criativo e de desenvolvimento / evolução de seus personagens e relacionamentos. Poucos sabiam, mas foi do próprio Naveen Andrews a idéia de que Sayid deveria formar par romântico com Shannon, o que garantiu à personagem a chance de ser levada um pouco mais à sério distanciando-se da figura de uma simples patricinha chata. A faixa traz ainda a confirmação por parte de Josh Holloway de que os atores de fato pouco sabem sobre o futuro de seus personagens entre o roteiro de um episódio e outro, o que fica evidenciado por seu temor inicial sobre o destino de Sawyer que àquela altura sofria em decorrência de seu ferimento no ombro. Damon Lindelof revela ainda que o próposito da morte de Shannon era o de obrigar os grupos de sobreviventes a interagirem sob extremo conflito, o que parece não ter agradado Naveen Andrews que deixa claro seu descontentamento com o destino de sua colega de elenco.

The Other 48 Days: Tido como um episódio piloto para os tailies em proporções um pouco menores, essa faixa reforça o conceito de que os 48 dias do outro lado da ilha foram de fato mais difíceis do que aqueles vividos pela turma liderada por Jack do outro lado. Enquanto Michelle Rodriguez reitera sua paixão por papéis durões que exijam esforço físico, Adewale Akinnuoye Agbaje explora nosso primeiro contato com a complexidade de seu personagem, um cara durão mas que também sabia ter compaixão. Esse segmento mostra ainda o processo que resultou na sequência inicial onde víamos a cauda do avião caindo no mar e traz a surpreendente informação de que enquanto o piloto da 1ª temporada exigiu 125 efeitos visuais, neste apenas 5 foram utilizados.

Collision: Basicamente reforça a idéia que já tinhamos de Ana Lucia, uma personagem que odeia ser vítimizada pelas situações que a cercam, além de mostrar o aspecto mais humano dela e seu relacionamento levemente conturbado com a mãe também policial. Talvez o trecho mais fraco desse segmento “Lost na Locação.”

What Kate Did: Além de trazer um ex-câmera da série na direção de um episódio e mostrar o trabalho realizado com a égua que surge no flashback de Kate e posteriormente na ilha, o aspecto mais interessante dessa faixa é o depoimento da atriz Evangeline Lilly revelando que para dar profundidade à cena em que Kate tem que lidar com seu pai bêbado tentando seduzí-la, teve que resgatar traumas pessoais que ela não deixa claro quais são mas que lhe serviram aqui.

The 23rd Psalm: É o episódio que nos revelou o passado sombrio e de posterior redenção de Eko, um nigeriano que levado por uma triste circunstância transforma-se em um temido traficante até encontrar a fé que o transforma totalmente. Adewale Akinnuoye Agbaje comenta que o conceito do personagem que conhecemos é bem diferente do que foi inicialmente pensado e fala de sua dificuldade inicial para casar sua idéia para o personagem àquela pensada para os rumos da série. A faixa traz ainda o produtor Carlton Cuse definindo as diferenças entre a fé de Locke e a de Eko. Segundo ele, enquanto a do 1º baseia-se em elementos pagãos e ritualistas, a de Eko é basicamente de cunho religioso, o que claro faz todo sentido.

The Whole Truth: Traz um belo retrato da evolução e das mudanças que caracterizam o relacionamento do casal Sun e Jin, com Daniel Dae Kim e Yunjin Kim revelando os desafios do episódio que deu cores vivas a aspectos e conflitos tão comuns ao casal e que trouxe ainda a dúvida sobre a gravidez de Sun, além de sua conduta ambígua, até então desconhecida. A faixa traz também comentários elogiosos ao ator Michael Emerson (Henry Gale) que revelam a dimensão cuidadosa e elaborada de sua interpretação, parte fundamental para a importância de seu papel.

Dave: É o episódio da famosa e cartunesca cena da surra que Hurley aplica em Sawyer sob a lona da barraca, mas também o que nos apresentou o passado de Hurley na clínica psiquiátrica onde conhecera (ou não?) Dave, um sujeito que leva-o a indagações interessantes sobre a realidade das coisas na ilha, e ainda brinca com uma das teorias difundidas de que o que vemos seria ilusão de um único personagem. Outro aspecto interessante dessa faixa é o de vermos o envolvimento de Hurley com Libby, um romance que terminaria tragicamente pouco depois e que segundo Damon Lindelof foi pensado dessa forma para mover o personagem a um outro nível... E que nível é esse, fica a nosso cargo refletir.

S.O.S. A chance de entendermos um pouco mais sobre a dinâmica do casal Rose & Bernard e seu belo relacionamento. O peso maior dessa faixa, recai sobre o depoimento da atriz L. Scott Caldwell revelando que a história da doença de sua personagem foi baseada de certa forma em eventos reais vivenciados por ela, que perdeu o marido vítima de câncer exatamente 1 ano após o casamento que acontecera durante as filmagens do episódio piloto da série.

Two for the Road: Sexo, violência, choque e tragédia foi tudo o que o episódio trouxe, mas essa faixa vai além revelando o clima descontraído das filmagens e todo o trabalho da equipe de produção que montou em um hotel do Waikiki no Havaí, uma cena aparentemente simples envolvendo Ana Lucia em seu quarto de hotel na Austrália observando a baía de Sydney. A faixa incluiu também comentários sobre a natureza da morte de Ana Lucia e reforça a idéia de que àquela altura a personagem atingira seu ponto mais profundo de fragilidade tornando-se vítima de um Michael tomado pelo desespero e capaz de tudo para recuperar Walt.

Live Together, Die Alone: A julgar pela faixa, o episódio que deve ter dado mais trabalho para ser produzido haja visto que foram designadas 2 equipes distintas para o processo que durou 17 dias envolvendo cenas no mar, na selva e na escotilha ( e que exigiram a inclusão de efeitos especiais). Aqui também temos a oportunidade de ver o pesar da atriz Cynthia Watros em deixar a série, bem como o depoimento de Harold Perrineau do quão estranho foi terminar a cena em que parte de barco com Walt voltando para o pier já vazio o que lhe deu a impressão quase real de ter de fato partido para não voltar, o que claro esperamos que não aconteça já que Walt ainda tem muito a revelar.
Sentiu falta de algum episódio nesse segmento? Eu por exemplo gostaria de saber mais sobre os eps. 2x15 "Mathernity Leave" onde conhecemos a escotilha Staff e o 2x21 "?" onde Locke e Eko descobrem a estação Pérola, mas tudo bem, nada é perfeito.

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O Mundo Segundo Sawyer:

Faixa que confirma que o golpista bad boy é realmente um dos personagens mais cools da série. Sawyer é um sujeito que nunca estudou, mas que incrivelmente sempre surge com alguma referência tirada de um livro ou filme e que encontram ressonância na cultura pop mundial. Comentando sobre o personagem, a atriz Michelle Rodriguez compara-o a um garoto da escola, implicante e cheio de marra, mas que no fundo todo mundo gosta. Javier Grillo, um dos supervisores de produção levanta um ponto interessante sobre a natureza do personagem que pode explicar o porquê de termos simpatia por ele (no que me incluo), dizendo que embora ele seja um tanto quanto sombrio, esse aspecto fica diluído em suas interações na ilha. Como curiosidade fica a revelação de Evangeline Lilly de que fora dos sets, Josh Holloway também a chama de ‘Sardenta’ o mesmo apelido que seu personagem deu a Kate na série.
Bem, por enquanto é isso. Fiquem ligados porque em breve postarei sobre as outras duas fases, e claro, sobre os easter eggs (segredos escondidos) do dvd.
Por Davi Garcia

5 comentários:

Anônimo disse...

Box vem do Inglês e segnifica caixa; boxe é esporte de contato, luta

Anônimo disse...

eu quero + to sem dindin

Anônimo disse...

nossa davi! que trabalhão deve ter dado para descrever todos os extras. só temos que agradecer! valeu

Anônimo disse...

Sem falar nos easter eggs que tem no disco 7. Praticamente em cada tela de seleção existe um escondido. A manha é descobrir onde o cursor trava e mov^`e-lo na direção certa. Tipo: => =>, ou => => e pra baixo.

carol_skater disse...

davi!!! nao sei se vc vai lembrar, mas eu tava lah no riosul qdo c foi dar aquela palestra(q eu achei simplesmente sensacional!!!) de LOST!

e concordo plenamente com vc, o mundo segundo sawyer eh mto comedia!!! XD os apelidos q ele dah são os mais hilários xDDD

e qdo c disse lah q achava o jack um chato de galocha, eu ri MTO e fiquei balançando a cabeça afirmamente por HORAS!!! XD