09/05/2006

O choque do criador de Lost frente ao pedido de Tom Cruise

O diretor JJ Abrams - mais conhecido como o criador da série Lost - disse ter pensado que o ator Tom Cruise estava 'louco' quando o abordou pela 1ª vez para fazer Missão Impossível 3.

Texto original da BBC News
Tradução por Davi Garcia
e Juliana Ramanzini

A terceira parte da popular franquia é o primeiro filme de Abrams como diretor, embora ele tenha trabalhado como produtor em Uma Segunda Chance (Regarding Henry) de 1991 estrelando Harrison Ford. E não pára por aí, ele acaba de anunciar que fará Star Trek 11.
Abrams disse à BBC que ele foi convidado por Cruise "desde o início" para fazer o filme - mas foi aconselhado por amigos a não fazer.
"Tom disse, 'Eu quero que você o dirija, eu quero que você o escreva - eu quero que esse seja o Missão Impossível de JJ,'" Abrams recorda. "Eu pensei , 'o que está acontecendo aqui?' Era insano que ele estivesse me pedindo para fazer esse filme, e então ele estava dizendo que esse seria o meu filme. "Tive amigos me alertando, 'Ele é uma estrela, ele é o produtor. Isso é um desatre. Pule fora.' "Mas Tom nunca hesitou em seu comprometimento - ele nunca interferiu em nada, ele nunca demandou que a história, personagem, tomadas e atores fossem de um
determinado jeito.

Dando um brilho no script

O filme mais recente surge 10 anos depois que o primeiro Missão Impossível - ele próprio derivado de uma popular série de tv - foi lançado. Abrams - conhecido pelos estratagemas de Lost - assumiu o filme co-escrevendo a versão do script que foi filmado. A trama do capítulo mais recente da franquia foca-se em Ethan Hunt (Cruise) saindo da aposentadoria para ratrear o traficante de armas Owen Davian, interpretado pelo ator vencedor do Oscar Philip Seymor Hoffman.

Abrams disse que quando ele pegou o projeto, o script original tinha o que ele via como grandes e sérios problemas de tom. "O script original não tinha aquela paixão e emoção que eu queria ver em Missão Impossível," ele disse. "Estava obscuro demais." Contudo , algumas sombras disso ficaram. Uma cena traz um personagem falando sobre um "anti-Deus", seguido de uma longa sequência na cidade do Vaticano em Roma. Abrams disse que o filme foi feito para deliberadamente obscurecer o objeto que leva a trama adiante. "De fato, nessa tal cena onde eles discutem o que ele é, estão dentro de um avião, e o barulho das turbinas é tão alto que você - propositalmente - não consegue ouvir o que eles estão dizendo," ele falou. "Mas a discussão dessa coisa tem o objetivo de fazer o que faz - dar um senso de perdição."

Subversivo

Entretanto, ele incluiu também um pouco de sátira- inclusive uma frase onde um personagem americano diz que os EUA “limpam e instalam a democracia.” “É hilário”, diz Abrams. Espero que esse filme transmita logo um senso de humor, e diga que não estamos tentando nos levar a sério demais. Mas, ele reforçou que não era seu objetivo fazer um filme denso, político. “Isto é Missão Impossível III: supõe-se ser entretenimento”.

“Tendo dito isso, eu não quis ser “interesseiro” - então eu senti que era crucial que o “cara mau” tivesse um ponto da vista e uma argumentação”. “Enquanto estávamos fazendo este filme, por que não sermos um pouco subversivos?”

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